quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

estação. a 24-Mar-2010

Está tão habituada a despedidas que diria não as sentir. Mentira, se o dissesse.
Ainda assim, está habituada a despedidas.
Conhece os seus rostos e as suas etapas. Prepara-se para ver malas feitas, dizer que vai sentir saudades e desejar-lhe boa sorte.
Não faltará ao dia da partida, como se o espectáculo masoquista a fascinasse, as lagrimas cobrem-lhe os olhos e o pânico confunde-se com entusiasmo.
Sabe de cor a pontada no peito que se segue, a saudade aguda gritada em plenos pulmões aos ouvidos.
Entre a primeira e terceira vez, esqueceu-se de perguntar o que fazer com os planos. Afinal, não havia quem lhe respondesse, pois nesta vida não podem existir planos. Não se sabe o amanhã.
Ninguém sabe o que fazer com os sonhos. Depois da quarta já não se importou com fotografias, talvez não as devesse tirar de todo.
Agora já não se revolta, mas ainda chora em cada adeus.
Dir-se-ia habituada, se se pudesse criar um hábito de dor, manchado como folhas de papel lacrimejadas.

Diz-lhe que vai partir. Ela responde-lhe um sorriso muito grande, como se o egoísmo não a domasse.
Está tão habituada a partidas que só encontra um motivo para teimar em ficar: ALGUÉM TEM DE ESPERAR OS REGRESSOS NO TERMINAL DE CHEGADA.

sábado, 1 de janeiro de 2011

H

Não sei se é o facto de saber que cá vens que me prende a vontade de escrever, secalhar medo que o que vou escrever te volte a magoar.
De qualquer pessoa que por mim tenha passado, tu foste aquela que de todo não queria magoar nem desiludir, e sei que foi o que mais te fiz.
Sinto-me MAL quando estou ao pé de ti, porque sinto vergonha.
Mal te consigo olhar nos olhos.
Tenho vergonha na banalidade a que tiveste de me associar, por culpa totalmente minha.
Tenho saudades de ti meu italiano.
Todos os dias me sinto culpada pelas cenas que já te fiz, nem sabes o quanto me custa ver a tua mãe todos os dias, o que me custa lembrar-me de tudo, a cada dia.

Quero que saibas que para mim ainda és aquele perfeitinho.
Te voglio benne