Está tão habituada a despedidas que diria não as sentir. Mentira, se o dissesse.
Ainda assim, está habituada a despedidas.
Conhece os seus rostos e as suas etapas. Prepara-se para ver malas feitas, dizer que vai sentir saudades e desejar-lhe boa sorte.
Não faltará ao dia da partida, como se o espectáculo masoquista a fascinasse, as lagrimas cobrem-lhe os olhos e o pânico confunde-se com entusiasmo.
Sabe de cor a pontada no peito que se segue, a saudade aguda gritada em plenos pulmões aos ouvidos.
Entre a primeira e terceira vez, esqueceu-se de perguntar o que fazer com os planos. Afinal, não havia quem lhe respondesse, pois nesta vida não podem existir planos. Não se sabe o amanhã.
Ninguém sabe o que fazer com os sonhos. Depois da quarta já não se importou com fotografias, talvez não as devesse tirar de todo.
Agora já não se revolta, mas ainda chora em cada adeus.
Dir-se-ia habituada, se se pudesse criar um hábito de dor, manchado como folhas de papel lacrimejadas.
Diz-lhe que vai partir. Ela responde-lhe um sorriso muito grande, como se o egoísmo não a domasse.
Está tão habituada a partidas que só encontra um motivo para teimar em ficar: ALGUÉM TEM DE ESPERAR OS REGRESSOS NO TERMINAL DE CHEGADA.